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17 de maio de 2012

Premier League - Distribuição de Receitas TV

Ao arrecadar o título da Premier League de 2011/12, o Manchester City subiu também ao primeiro lugar na lista de receitas TV da Premier League com £60.6 milhões (75.8 milhões de Euros). Um novo recorde individual neste género de receitas no campeonato Inglês, ultrapassando os £60.4 milhões ganhos pelo Manchester United na temporada de 2010/11.
Na temporada de 2011/12, o total as receitas TV disponíveis para partilha na Premier League, aumentaram em cerca de 4% em relação ao ano anterior, atingindo os £1055.3 milhões (1321.4 milhões de Euros). Deste valor, cerca de £418.3 milhões (523.6 milhões de Euros), foram provenientes da venda de direitos internacionais (fora do Reino-Unido).

Método de Distribuição das Receitas TV

Partes Iguais (70%) – Do total de £1055,3 milhões de receitas TV, £738.1 milhões (923.5 milhões de Euros) foram disponibilizados para repartir de forma igual pelos clubes. Este valor é constituído por duas parte:(1) £319.8 milhões, ou 30.4% da venda dos direitos no Reino Unido. (2) £418.3 milhões, ou 39.6% da venda de direitos internacionais. Dos £738.1 milhões, cerca de £87.1 milhões foram destinados a clubes do Championship / 2ª Divisão, em pagamentos de solidariedade. Assim, cada um dos 20 clubes da Premier League recebeu £13.8 milhões referente à venda dos direitos no Reino-Unido, mais £18.7 milhões referentes à venda de direitos internacionais, num total de £32.5 milhões (40.6 milhões de Euros).

Performance (15%) – Por performance desportiva (classificação obtida na temporada 2011/12), a Premier League disponibilizou um montante / prize money de £158.5 milhões (198.3 milhões de Euros). Desta forma o último classificado Wolverhampton recebeu £755 mil (944 mil Euros) e o primeiro classificado Manchester City recebeu 20 vezes mais £15.1 milhões (18.8 milhões de Euros).

Audiência (15%) - O restante montante de £158.5 milhões (198.3 milhões de Euros) foi distribuído consoante o número de jogos de cada clube que foi transmitido ao vivo. Assim, cada clube recebeu £530 mil ( 663 mil Euros) por cada jogo transmitido ao vivo. O número de jogos a transmitir ao vivo varia entre um mínimo de 10 e um máximo de 26 dos 38 possíveis.

Premier League – Distribuição de Receitas TV 2011/12 (valores em £)

Clube Class Live Parte Igual Audiência Performance Internacional Total
Manchester City 1 25 13.788.093 12.948.312 15.101.240 18.764.644 60.602.289
Manchester Utd 2 26 13.788.093 13.426.422 14.346.178 18.764.644 60.325.337
Tottenham Hotspur 4 23 13.788.093 11.992.092 12.836.054 18.764.644 57.380.883
Arsenal 3 19 13.788.093 10.079.652 13.591.116 18.764.644 56.223.505
Chelsea 6 20 13.788.093 10.557.762 11.325.930 18.764.644 54.436.429
Liverpool 8 23 13.788.093 11.992.092 9.815.806 18.764.644 54.360.635
Newcastle Utd 5 18 13.788.093 9.601.542 12.080.992 18.764.644 54.235.271
Everton 7 10 13.788.093 5.776.662 10.570.868 18.764.644 48.900.267
Fulham 9 10 13.788.093 5.776.662 9.060.744 18.764.644 47.390.143
WBA 10 10 13.788.093 5.776.662 8.305.682 18.764.644 46.635.081
Swansea City 11 10 13.788.093 5.776.662 7.550.620 18.764.644 45.880.019
Norwich City 12 11 13.788.093 6.254.772 6.795.558 18.764.644 45.603.067
Sunderland 13 10 13.788.093 5.776.662 6.040.496 18.764.644 44.369.895
Stoke City 14 10 13.788.093 5.776.662 5.285.434 18.764.644 43.614.833
QPR 17 14 13.788.093 7.689.102 3.020.248 18.764.644 43.262.087
Wigan Athletic 15 10 13.788.093 5.776.662 4.530.372 18.764.644 42.859.771
Aston Villa 16 10 13.788.093 5.776.662 3.775.310 18.764.644 42.104.709
Bolton Wanderers 18 10 13.788.093 5.776.662 2.265.186 18.764.644 40.594.585
Blackburn Rovers 19 11 13.788.093 6.254.772 1.510.124 18.764.644 40.317.633
Wolverhampton 20 10 13.788.093 5.776.662 755.062 18.764.644 39.084.461
TOTAL
290 275.761.860 158.563.140 158.563.020 375.292.880 968.180.900
Birmingham City

7.583.451

7.891.554 15.475.005
Blackpool

7.583.451

7.891.554 15.475.005
West Ham Utd

7.583.451

7.891.554 15.475.005
Burnley

6.204.642

6.015.090 12.219.732
Hull City

6.204.642

6.015.090 12.219.732
Portsmouth

6.204.642

6.015.090 12.219.732
Middlesbrough

2.757.619

1.323.929 4.081.548
TOTAL

319.883.758 158.563.140 158.563.020 418.336.741 1.055.346.659

Evolução de 2009/10 a 2011/12

A totalidade das receitas provenientes da venda de direitos televisivos da Premier League subiu nos últimos 3 anos mais de 15%, no entanto o aumento do dinheiro da televisão da liga Inglesa, deve-se principalmente à venda de direitos internacionais que nas últimas, 3 temporadas registou um aumento de mais de 85%.

O método de partilha de receitas tem também sofrido alterações nos últimos anos devido à divisão em partes iguais dos direitos internacionais. Assim em 2009/10 o conjunto de direitos internacionais + % de direitos nacionais a partilhar de igual forma pelos clubes, representava cerca de 54.6% do montante total de receitas TV, em 2011/12 esse valor atingiu os 70%.

Com 70% da receita total partilhada de forma equivalente pelos clubes, em 2011/12 o clube que menos recebeu atingiu os £39 milhões (48.7 milhões de Euros), contra os £35.8 milhões (44.7 milhões de Euros) de 2009/10. Já o clube que mais ganhou em 2011/12 alcançou os £60.6 milhões (75.8 milhões de Euros), contra os £52.9 milhões (66.1 milhões de Euros) em 2009/10.

NOTAS:
Os valores convertidos em (€) Euros utilizaram a cotação 1 GBP = 1.25128 EUR / 1 EUR = 0.799182 GBP de 16.05.2012

11 de maio de 2012

Timemania – O Endividamento dos Clubes Brasileiros

Os clubes brasileiros sofrem com o tamanho de suas dívidas e o custo delas. A maior parte é de curto prazo e com juros elevados (em alguns casos o serviço da dívida chega a 2% ao mês, mais de 25% ao ano). O Governo Federal Brasileiro é de longe o maior credor dos clubes brasileiros, crédito esse obtido com a falta de pagamento de impostos por parte dos clubes ao longo das últimas décadas.

PROGRAMA DE LIQUIDAÇÃO DA DÍVIDA

Em face dessa situação, o Governo Federal Brasileiro lançou em 2006 um programa de quitação dessa dívida, batizado de Timemania, através de uma loteria federal (no Brasil o Governo Federal detém o monopólio das Loterias, sendo o único agente autorizado a promover loterias no país). A Timemania foi criada pelo decreto nº 6.187/07 que regulamenta a Lei no 11.345, de 14 de setembro de 2006, que estabelece os critérios de participação e adesão das entidades de prática desportiva da modalidade de futebol profissional e dispõe sobre o parcelamento de débitos tributários e não tributários e para com o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS. No programa criado pelo Governo Federal Brasileiro, os clubes das três principais divisões do futebol nacional estão autorizados a participar, contanto que publiquem anualmente relatórios financeiros auditados e que seus dirigentes não tenham nenhuma condenação por crime doloso ou contravenção na Justiça Brasileira. Participam 80 clubes toda semana e são realizados sorteios simples de sete clubes, além do sorteio do “clube do coração”: cada apostador escolhe sete clubes mais o seu clube do coração, sendo dois sorteios separados.

PROJECÇÃO DE RECEITAS

Do total arrecadado, 46% vão para o pagamento de prêmios, 22% para os clubes que aderiram à loteria e o restante para pagar custos e impostos. Da parcela destinada aos clubes, 65% vão para os 20 clubes mais escolhidos como “clube do coração”, ou seja, os clubes mais populares ou chamados “grandes” arrecadam 1/20 dos 65% que lhes cabe. Esse montante é destinado ao pagamento da dívida que os clubes têm com o Governo Federal Brasileiro. No entanto, analisando os números do programa desde seu lançamento, a expectativa dos governantes de arrecadar algo em torno de R$ 250 milhões nos primeiros doze meses não foi e está longe de ser atingida. Nem mesmo com projeções otimistas para os próximos dois anos é possível chegar ao valor esperado. O primeiro sorteio foi  realizado em Março de 2008, porém os dados de arrecadação e repasse só estão disponíveis a partir de Maio de 2009.

TIMEMANIA 2009 a 2012

TRIMESTRE ARRECADAÇÃO Var. % YoY REPASSE CLUBES (22%) Var. % YoY REPASSE 20 CLUBES “GRANDES” (65%) Var. % YoY REPASSE POR CLUBE “GRANDE” (1/20) Var. % YoY
2T09 13.969.332,00 n.d. 3.073.253,04 n.d. 1.997.614,48 n.d. 99.880,72 n.d.
3T09 21.359.270,00 n.d. 4.699.039,40 n.d. 3.054.375,61 n.d. 152.718,78 n.d.
4T09 28.452.346,00 n.d. 6.259.516,12 n.d. 4.068.685,48 n.d. 203.434,27 n.d.
1T10 17.894.728,00 n.d. 3.936.840,16 n.d. 2.558.946,10 n.d. 127.947,31 n.d.
2T10 21.140.310,00 51% 4.650.868,20 51% 3.023.064,33 51% 151.153,22 51%
3T10 43.257.172,00 103% 9.516.577,84 103% 6.185.775,60 103% 309.288,78 103%
4T10 38.360.548,00 35% 8.439.320,56 35% 5.485.558,36 35% 274.277,92 35%
1T11 30.495.440,00 70% 6.708.996,80 70% 4.360.847,92 70% 218.042,40 70%
2T11 34.659.868,00 64% 7.625.170,96 64% 4.956.361,12 64% 247.818,06 64%
3T11 50.660.518,00 17% 11.145.313,96 17% 7.244.454,07 17% 362.222,70 17%
4T11 43.937.558,00 15% 9.666.262,76 15% 6.283.070,79 15% 314.153,54 15%
1T12 36.523.372,00 20% 8.035.141,84 20% 5.222.842,20 20% 261.142,11 20%
2T12 * 6.494.668,00 -81% 1.428.826,96 -81% 928.737,52 -81% 46.436,88 -81%
ANO ARRECADAÇÃO Var. % YoY REPASSE CLUBES (22%) Var. % YoY REPASSE 20 CLUBES “GRANDES” (65%) Var. % YoY REPASSE POR CLUBE “GRANDE” (1/20) Var. % YoY
2009 63.780.948,00 n.d. 14.031.808,56 n.d. 9.120.675,56 n.d. 456.033,78 n.d.
2010 120.652.758,00 89% 26.543.606,76 89% 17.253.344,39 89% 862.667,22 89%
2011 159.753.384,00 32% 35.145.744,48 32% 22.844.733,91 32% 1.142.236,70 32%
2012e ** 191.331.303,04 20% 42.092.886,67 20% 27.360.376,34 20% 1.368.018,82 20%
2013e ** 229.151.124,11 20% 50.413.247,30 20% 32.768.610,75 20% 1.638.430,54 20%

Valores em R$
Fonte: Caixa Econômica Federal
n.d. = não disponível
* Até Abril de 2012. Faltam ainda 2 meses para completar o 2º Trimestre de 2012.
** Considerando um crescimento de 20% na arrecadação annual (mesmo crescimento do 1º Trimestre de 2012).

Concluindo, a Timemania não tem atingido, até o momento, o sucesso esperado por seus idealizadores e a situação crítica em que se encontram os Clubes Brasileiros se mantém inalterada. Hoje, o Futebol Brasileiro só não vai à bancarrota porque o Governo Federal Brasileiro não permite. Isso faz todo sentido, já que o futebol é um dos únicos momentos de prazer que a população brasileira, que tem uma das piores distribuições de renda do mundo, possui. Uma alternativa, ao invés de insistir com essa loteria mal sucedida, seria exigir mais transparência e responsabilidade das atuais gestões dos Clubes Brasileiros. Quem sabe, até mesmo obrigar a transformação dos Clubes em empresas e abrir seus capitais a novos acionistas/investidores que vão buscar aperfeiçoar a gestão dessas entidades a exemplo do que ocorreu no futebol Chileno.

9 de maio de 2012

Liga endurece requisitos para evitar incumprimento dos clubes

A comissão executiva da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) aprovou nesta terça-feira os calendários das candidatura para as competições profissionais, que terão de ser apresentadas até às 18h de 21 de Maio.
A LPFP apostou no endurecimento das formalidades referentes aos
pressupostos de natureza financeira de candidatura para a época 2012/2013, nomeadamente no que diz respeito à apresentação dos orçamentos dos clubes sujeitos ao regime especial de gestão e às sociedades desportivas.

Os eventuais incumprimentos constituem fundamento de impedimento de participação, desclassificação para a divisão inferior, perda do direito de promoção ou exclusão das competições profissionais, com a excepção dos pressupostos estabelecidos para os clubes sujeitos ao regime especial de gestão e para as sociedades desportivas que estejam em processo de regularização de dívidas à administração fiscal e Segurança Social.

A 28 de Maio termina o prazo para a primeira verificação pelos serviços administrativos da Liga de clubes, a 6 de Junho realiza-se a primeira reunião da comissão técnica de estudos e auditoria, a 8 de Junho são notificados os clubes e as SAD sobre o “sentido provável da decisão”, a 19 de Junho completa-se o prazo de audiência dos interessados e a 25 de Junho é elaborado o parecer definitivo e notificados os clubes e as SAD da decisão da comissão executiva.

Em relação ao processo de candidatura, a LPFP exige que os respectivos orçamentos respeitem vários requisitos, entre os quais o de que as receitas ordinárias devem cobrir as despesas ordinárias, o cálculo da massa salarial anual não pode ter por base valores inferiores aos fixados por instrumento de regulamentação colectiva aplicável e a massa salarial anual dos praticantes e treinadores não pode ultrapassar 70% do valor das despesas ordinárias consignadas no orçamento dos clubes.

A União de Leiria

A Liga também estabelece regras quanto aos pareceres dos revisores oficiais de contas ou da Sociedade Revisora de Contas, referentes aos orçamentos apresentados e às declarações que comprovem a inexistência de dívidas salariais a jogadores e treinadores na época 2011/2012.

No caso de acordos escritos de regularização, o clube deverá fazer prova documental do cumprimento das obrigações vencidas à data da apresentação da candidatura (21 de Maio de 2012) e que tenham por objecto as retribuições-base ou compensações mensais devidas até 5 de Maio de 2012.

As certidões comprovativas da situação contributiva regularizada, quer perante a administração fiscal, quer perante a Segurança Social, por referência às dívidas até 30 de Abril de 2012, terão de ser necessariamente emitidas.

Os novos pressupostos financeiros aprovados pela Liga surgem após declarações do novo presidente daquele organismo, Mário Figueiredo, no sentido do endurecimento da fiscalização aos clubes e às SAD das respectivas situações salariais, após o caso da União de Leiria, clube que foi alvo de um processo de rescisão colectiva por parte dos jogadores devido a vários meses de salários em atraso – os leirienses começaram o jogo com o Feirense apenas com oito futebolistas.

Equipas B

Por outro lado, a LPFP divulgou também nesta terça-feira o aditamento do contrato com a Federação Portuguesa de Futebol (FPF), contemplando a entrada das equipas B na edição de 2012/2013 da Liga de Honra.

O contrato estipula que a próxima edição da Liga de Honra vai ser disputada por 16 equipas principais e por um máximo de seis equipas B, mas esclarece que, se não houver esse número de equipas B, a Liga de Honra vai ser reduzida. “Se, em resultado da redução (...), a competição ficar com um número ímpar de participantes, abrir-se-á uma vaga que será preenchida pelo clube da Liga de Honra melhor classificado nos lugares de descida”, pode ler-se no documento.

A partir da época 2013/2014, inclusive, o contrato publicado no site da LPFP especifica que descem três equipas à II Divisão, de onde sobem três clubes.

O aditamento ao contrato declara ainda que a LPFP e a FPF se comprometeram, logo após a realização da última jornada, a formalizarem um acordo sobre os quadros competitivos da Liga.

A 3 de Maio, a assembleia-geral da LPFP aprovou o alargamento do principal campeonato para 18 clubes, com recurso a um regime transitório de descidas no fim da presente temporada, no qual os dois últimos classificados da Liga defrontam os terceiro e quarto classificados da Liga de Honra, numa eliminatória a duas mãos.

  
Fonte: Público

Assistências nos estádios de futebol europeus, e o investimento no desporto em Portugal

Ao contrário do que muitos pensam, e segundo um estudo do IPAM, é na Alemanha que os estádios de futebol registam a melhor média de assistência por jogo. Entre as época 2006 e 2011, só no top20 estão 8 clubes alemães, sendo o Dortmund aquele que regista a segunda maior assistência média (75.309 contra 75.356 do Man Utd). Esta época, talvez face ao segundo título consecutivo conquistado pelos alemães, a assistência média subiu para 80.400 pessoas por jogo.

Estes números são curiosos e bastante interessantes. Por vários motivos: 
- Em primeiro lugar porque, ao contrário do que seria de esperar, não é na pátria do futebol, em Inglaterra, que se regista a maior assistência média. Na Premier League a assistência média foi de 34.301 pessoas por jogo, número inferior ao da Bundesliga, que registou uma afluência média 40.641 pessoas por jogo; 
- Em segundo lugar porque, apesar do impressionante número registado pelo Dortmund esta época, é o Shalke 04 que, entre 2006 e 2011, registou a maior taxa de ocupação do estádio, com uns impressionantes 99,46%, seguido pelos ingleses do Arsenal, com 99,44%; 
- Em terceiro lugar porque nenhuma destas equipas registou grandes resultados desportivos ao longo dos últimos anos, nomeadamente entre 2006 e 2011. Se olharmos com atenção às performances de Dortmund, Shalke 04 e Arsenal, os primeiros apenas ganharam um título (Campeonato Alemão em 2010/2011), os segundos dois títulos (Taça e Supertaça da Alemanha em 2010/2011) e os terceiros nenhum. 

É por isso de fundamental importância perceber o que move estes fãs, que ao longo dos anos, independentemente dos resultados desportivos, continuam a apoiar incondicionalmente a sua equipa. São indivíduos altamente envolvidos, do ponto de vista emocional, com estas marcas, e por isso existem enormes oportunidades para as mesmas concretizarem o que é, na minha opinião, o objetivo número um do marketing desportivo: transformar fãs em clientes. Como curiosidade, referir que por cá a taxa de ocupação dos estádios ronda os 45,82%, ou seja, 10.926 espectadores por jogo, e isto, muito por "culpa" dos três grandes. Mas afinal, o que é que os outros têm que nós não temos? Não somos apaixonados por desporto e, em particular neste canto à beira-mar, loucos por futebol, onde existem programas diários na televisão, três jornais desportivos, etc., onde só se fala desta modalidade? Se calhar está na altura de abrirmos o leque no que refere ao investimento no desporto em Portugal.

4 de maio de 2012

Sinal de alerta nas finanças do futebol inglês

Levantamento divulgado recentemente apresenta resultados preocupantes sobre a saúde financeira dos clubes da ilha.


Quem acompanha o futebol fora de campo já desconfiava que alguma coisa estava azêda dentro da “geladeira” inglesa, mas esse levantamento do Begbies Traynor Group acabou por surpreender.
O levantamento abrangeu 68 clubes das 3 divisões abaixo da Premier, e revelou que 19% desses clubes, estão em sérias dificuldades econômico-financeiras, contrastando com apenas 1% das demais empresas na Inglaterra. Dificuldades que envolvem ações e sentenças de liquidação judiciais, além de problemas sérios tanto nos prazos de apresentação dos balanços contábeis, como nos desequilíbrios encontrados nos mesmos.

A causa principal apontada, é a enorme disparidade econômica entre os clubes da Premier e os da Football League. Os primeiros possuem receitas fartas e garantidas de Tv e grandes patrocinadores, enquanto os últimos, tendem a gastar em demasia (em contratações e salários fora de suas realidades) na esperança de ascender à Premier e também abocanhar uma parte daquela "riqueza" e prestígio.

Esses clubes arrecadam alguns recursos em abril e maio (com a venda antecipada de carnês para a temporada seguinte), mas os usam de forma inconsequente, agravando cada vez mais os problemas.

Gerald Krasner, sócio da consultoria, explica:
"Quando as coisas estão caminhando para uma situação ruinosa, a melhor alternativa é preservar os bons gestores (ou contratá-los), com uma antecedência suficiente para que medidas necessárias a uma reversão de rumos sejam tomadas. Quanto mais cedo um clube aceita conselhos melhor."

Seria bom que os gestores dos nossos clubes lessem, e aplicassem isso, mas por enquanto, é apenas um devaneio.

11 de abril de 2012

Quanto custam realmente os estádios dos Europeus de futebol

Quanto um país se candidata à organização de uma das maiores competições de futebol, a sua principal  preocupação está relacionada com os custos da construção e/ou remodelação dos estádios que vão acolher o evento. Com o decorrer dos anos, as exigências de segurança e conforto dos adeptos têm aumentado. Este facto catapultou consideravelmente os custos dos estádios nos últimos 8 anos.

Ao analisarmos os dados referentes ao Euro 2004 (Portugal), Euro 2008 (Suíça/Áustria), Euro 2012 (Polónia/ Ucrânia) e Euro 2016 (França), verificamos que embora Portugal tenha sido o único país a construir/remodelar 10 estádios, os custos na construção dos recintos do Euro 2004 ficam consideravelmente mais baixos em relação aos custos previstos para o Euros 2012 e 2016.

Olhando para os custos, os estádios do Euro 2012 destacam-se, onde o valor investido ultrapassa os 2,3 mil milhões de euros, seguido do Euro 2016 onde o valor ascende aos 1,6 mil milhões de euros. O Euro 2008 foi o mais “económico”, quer nos custo médio por estádio, quer no custo médio por lugar. A necessidade de investimento em apenas 5 dos 8 estádios justificaram os baixos valores deste evento. No Euro 2004 realizado em Portugal os estádios custaram em média 67 milhões de euros, e cada lugar 1.800 euros.

OS CUSTOS DOS ESTÁDIOS NOS EUROPEUS DE FUTEBOL

Competição Qtd. Assistência Total Assistência Média Custo Total Custo Médio Custo Lugar
Euro 2004 10 374.689 37.469 674.750.416 67.475.042 1.801
Euro 2008 8 282.325 35.291 326.000.000 65.200.000 1.155
Euro 2012 8 387.148 48.394 2.335.000.000 291.875.000 6.031
Euro 2016 8 373.006 46.626 1.626.000.000 203.250.000 4.359

De facto, o custo médio dos estádios do Euro 2004 e do Euro 2008 em conjunto, cifrou-se nos 66,3 milhões de Euros, que comparado com o custo médio dos estádios do Euro 2012, regista um aumento de mais de 430%, quase mais 225 milhões de Euros por estádio construído.

Dos estádios construídos, são os do Euro 2012 aqueles que disponibilizam uma maior lotação total, com 387.148 lugares, é também o Euro 2012 onde encontramos um número mais elevado na lotação média dos estádios. No entanto, o significativo aumento dos custos de construção, está longe de acompanhar o aumento médio de cerca de 15% na lotação dos estádios. E se por um lado, não faria sentido um aumento equivalente, por outro lado torna-se difícil encontrar razões que justifiquem tamanho aumento dos custos em apenas 4 anos.

20 de fevereiro de 2012

Billabong recebe proposta de compra de 622 ME

A empresa de private equity TPG Capital apresentou uma proposta de aquisição no valor de 765 milhões de dólares australianos (aproximadamente 621,9 milhões de euros) à Billabong, segundo a Bloomberg. A empresa australiana de material de surf enfrenta dificuldades financeiras e já anunciou medidas como a venda de 48,5% da marca Nixon.

A oferta da TPG Capital ascende a três dólares australianos (ou 2,44 euros) por acção, o que corresponde a um prémio de 68% em relação ao valor bolsista da cotada australiana, refere a Bloomberg.

A Billabong, que nos últimos dez anos fez 15 aquisições entre marcas e redes de retalho, tem sido prejudicada pela queda das vendas na Europa e no mercado interno e pela valorização da divisa australiana. A empresa, sediada em Queensland, Austrália, sofreu, no acumulado do segundo trimestre de 2011, uma quebra de 72% nos lucros líquidos para 16,1 milhões de dólares (cerca de 13 milhões de euros), anunciou a empresa na passada sexta-feira.

De acordo com a Bloomberg, a dívida da dona de marcas como Von Zipper e Element totaliza 851 milhões de dólares australianos, sendo que mais de metade vence em 2013. Numa tentiva de reduzir os custos em 30 milhões de dólares australianos, a Billabong já anunciou que vai cortar 400 postos de trabalho e fechar entre 100 e 150 lojas em todo o mundo (possui uma rede mundial de 677 pontos de venda).

Assim, apesar da proposta da TPG Capital, a Billabong está, por enquanto, a enveredar por outras soluções para amortizar a dívida, como a venda de acções. A empresa já alienou 48,5% do capital da marca de acessórios para jovens Nixon à Trilantic Capital Partners (TCP), numa operação de joint venture. Em comunicado, emitido no final da semana passada, a Billabong anuncia que estima encaixar cerca de 285 milhões de dólares americanos (aproximadamente 214,9 milhões de euros) com esta transacção.

Fonte: Marketeer

13 de fevereiro de 2012

Os custos com empresários da Premier League

São dos principais promotores das transferências entre as equipas de futebol em todo o mundo e ajudam a desbloquear processos intermediando três lados: o clube vendedor, o clube comprador e o jogador. Mas nem por isso deixam os créditos por mãos alheias. Os empresários de jogadores cobram e bem a sua quota-parte na intermediação das transferências. Só na Premier League esse valor chegou a 85 milhões de euros na última época.

O Manchester City gastou mais do que qualquer outra equipa inglesa na temporada transacta, ano em que pagaram mais de 11 milhões de euros com estes serviços de intermediação de transferências de jogadores. Também foram eles os principais movimentadores de dinheiro nos últimos anos. Mario Balotelli (ex-Inter), David Silva (ex-Valência), Edin Dzeko (ex-Wolfsburgo) e Kolarov (ex-Lazio), só para citar os principais, agitaram o mercado a expensas dos fundos (ilimitados?) que o sheik Mansour proporciona.

E na capital mora o segundo maior gastador no que toca a despesas com a intermediação de transferências. Chelsea, Arsenal? Não. As entradas de Rafael van der Vaart (ex-Real Madrid), Giovani dos Santos (ex-Galatasaray) e Steven Pienaar (ex-Everton) na equipa de Harry Redknapp terão feito certamente subir os custos dos spurs com esta rubrica, que no total ascenderam a nove milhões de euros – contra os 5,61 milhões e 7,74 milhões de euros de Arsenal e Chelsea, respectivamente.

MONTANTES GASTOS COM AGENTES NA PREMIER LEAGUE 2010/2011


# Clube Montante pago # Clube Montante pago
1 Manchester City 11.580.000 € 11 Everton 3.510.000 €
2 Tottenham Hotspur 9.070.000 € 12 Queens Park Rangers 2.990.000 €
3 Liverpool 8.390.000 € 13 Stoke City 2.640.000 €
4 Chelsea 7.740.000 € 14 Bolton Wanderers 2.320.000 €
5 Newcastle United 7.640.000 € 15 West Bromwich Albion 1.560.000 €
6 Arsenal 5.610.000 € 16 Wolverhampton 1.320.000 €
7 Manchester United 5.340.000 € 17 Fulham 1.140.000 €
8 Blackburn Rovers 5.060.000 € 18 Norwich City 850.000 €
9 Sunderland 4.470.000 € 19 Wigan Athletic 790.000 €
10 Aston Villa 3.790.000 € 20 Swansea 297.000 €

Liverpool e Newcastle também figuram no top-5 neste ranking: os dois clubes que estiveram envolvidos nas transferências milionárias de Torres (Liverpool para o Chelsea) e Andy Carrol (Newcastle para Liverpool), ambas no valor de 40 milhões de euros.

A título de comparação, o FC Porto surgiria nesta tabela na 9ª posição, tendo pago aos empresários 4,55 milhões de euros com as compras dos passes de Danilo e Alex Sandro (ex-Santos), Mangala ex-(Standard de Liégé) e Kléber (ex-Atlético de Mineiro e Onsoccer Internacional) -os azuis-e-brancos foram os únicos dos três grandes que apresentaram estes dados no último relatório e contas.

Última nota: desde há três anos para cá que a Federação Inglesa de Futebol obriga os clubes da principal divisão de futebol em Inglaterra a revelar quanto pagam aos empresários de jogadores pelas transferências que intermedeiam. Os números revelados mostram uma evolução praticamente nula: 84 milhões de euros na época 2008/2009; 79 milhões de euros na época 2009/2010. 

10 de fevereiro de 2012

Deloitte Football Money League 2012

Foi ontem lançado o Deloitte Money League 2012, uma análise da consultora Deloitte às receitas dos clubes de futebol. E é o Real Madrid a liderar a tabela com receitas a rondar os 480M€, seguido do Barcelona com 450M€ de receitas, e o último lugar do pódio é do Manchester United com 367M€ de receitas. Neste ranking não houve grandes alterações face ao ano anterior com os primeiros 7 lugares da tabela a não sofrerem alterações.

O estudo salienta ainda que vantagem que o Real Madrid e o Barcelona detêm sobre os seus parceiros europeus indica que mesmo que houvesse uma distribuição mais igualitária das receitas de transmissão televisivas, não afectaria o domínio destes dois clubes no topo dos clubes com mais receitas. É também salientada a importância da participação dos clubes nas competições europeias, que se torna crucialmente importante para conquistar um lugar no top 20, e mesmo influencia a sua posição nesse top.

DELOITTE FOOTBALL MONEY LEAGUE 2012

# Clubes Bilheteira Direitos TV Comércio Receita Total
1 Real Madrid 123,600,000 € 183,500,000 € 172,400,000 € 479,500,000 €
2 Barcelona 110,700,000 € 183,700,000 € 156,300,000 € 450,700,000 €
3 Manchester United 120,300.000 € 132,200,000 € 114,500,000 € 367,000,000 €
4 Bayer Munich 71,900.000 € 71,800,000 € 177,700,000 € 321,400,000 €
5 Arsenal 103,200.000 € 96,700,000 € 51,200,000 € 251,100,000 €
6 Chelsea 74,700.000 € 112,300,000 € 62,800,000 € 249,800,000 €
7 AC Milan 35,600.000 € 107,700,000 € 91,800,000 € 235,100,000 €
8 Internazionale 32,900.000 € 124,400,000 € 54,100,000 € 211,400,000 €
9 Liverpool 45,300.000 € 72,300,000 € 85,700,000 € 203,300,000 €
10 Schalke 04 37,200.000 € 74,300,000 € 90,900,000 € 202,400,000 €
11 Tottenham Hotspur 47,900.000 € 92,000,000 € 41,100,000 € 181,000,000 €
12 Manchester City 29,500.000 € 76,100,000 € 64,000,000 € 169,600,000 €
13 Juventus 11,600.000 € 88,700,000 € 53,600,000 € 153,900,000 €
14 Olympique de Marseille 25,600.000 € 78,200,000 € 46,600,000 € 150,400,000 €
15 AS Roma 17,600.000 € 91,100,000 € 34,800,000 € 143,500,000 €
16 Borussia Dortmund 27,700.000 € 32,100,000 € 78,700,000 € 138,500,000 €
17 Olympique Lyonnais 19.000.000 € 69,600,000 € 44,200,000 € 132,800,000 €
18 Hamburger SV 41,800.000 € 26,700,000 € 60,300,000 € 128,800,000 €
19 Valencia 27,500.000 € 66,400,000 € 22,900,000 € 116,800,000 €
20 Napoli 22.000.000 € 58,000,000 € 34,900,000 € 114,900,000 €
21 Benfica - - - 102,500,000 €
22 Atlético de Madrid - - - 99,900,000 €
23 Werden Bremen - - - 99,700,000 €
24 Aston Villa - - - 99,300,000 €
25 Newcastle United - - - 98,000,000 €
26 Ajax - - - 97,100,000 €
27 Stuttgart - - - 95,500,000 €
28 Everton - - - 90,800,000 €
29 West Ham United - - - 89,100,000 €
30 Sunderland - - - 87,900,000 €


Nota de destaque para o Nápoles que aparece na 20º posição da tabela, beneficiando do novo acordo de direitos televisivos da Seria A Italiana, duplicando este tipo de receita em relação ao ano anterior para os 58 milhões de Euros. De salientar também que apenas Benfica e Ajax não fazem parte das 5 maiores ligas Europeias, tendo o clube Italiano (Nápoles) impedido o Benfica de ser o único nos 20 primeiros do ranking.

NOTAS: (1) O relatório demonstra as 30 equipas do futebol mundial que maiores receitas geraram na época de 2010.11 (2) As receitas excluem transferências de jogadores e impostos. (3) Actividades extra-futebol e transacções de capital foram igualmente excluídas das receitas por razões comerciais e contabilísticas, devido às diversas formas de registar uma mesma operação. (4) As receitas dos clubes são divididas em 3 categorias; (a) Bilheteira (todas as receitas de bilheteira, lugares anuais e quotização), (b) Direitos TV (inclui a venda de direitos TV de todos os jogos nacionais e internacionais), (c) Comércio (inclui todos os patrocínios, merchandising e outras pequenas receitas).